domingo, 14 de junho de 2009

Calo

"Mas onde estavam as palavras, onde estavam aquelas pequenas luxúrias que trouxera comigo? E onde estavam aqueles devaneios e onde estava o meu desejo e o que acontecera com a minha coragem e por que eu ficava sentado rindo tão alto de coisas que não eram engraçadas?
(...)
O quarto estava eloqüente com a sua partida."
(John Fante, Pergunte Ao Pó.)

Desde que ela finalmente partiu, o silêncio ficou eloqüente. As imagens são muitas e o fluxo de informação é contínuo. Sobrou uma enxurrada de sentimentos indizíveis — a catatonia que sucede o estado de choque.

Desde que ela finalmente partiu, levou consigo o último elo que teimava em resistir. Era precisamente a dor que nos conectava. O peso da presença à distância se resumia ao tamanho dos danos trocados.

Era o calo que lembrava. Era o calo que dizia. Era o calo que doía. Era o calo que mantinha.

Sem mais dor, sem mais urros. Sem mais calo. Me calo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Hamletiando

Protelar com distrações avulsas não é o melhor jeito de resolver.
Vão-se as desculpas e os contra-tempos fabricados. Laços fictícios
se rompem tão logo seu criador resolve cancelar a encenação.

E eis que resta apenas aquela pobre alma errante, desnuda, em frente ao espelho, desafiada pela decisão pré-decidida e óbvia, porém esfíngica.

Então, joga uma pedra que espatifa o refletor, se veste e faz uma ligação. Busca eco na opinião alheia e acaba por convencer o público a apoiá-lo na fuga da própria fuga. Preso em sua teia de conflitos, trai a bravura que já lhe provou prolífica.

E no fim é só medo.
O mesmo medo que condena em todos que o experimentam.
O mesmo medo contra o qual declarara guerra. O tal medo que o feriu antes e segue a ferir, desfechando golpes cada vez mais profundos.

Na verdade, só há uma opção. Todas os outros possíveis nada mais são do que cálices envenenados.

Beware my dear, beware.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O fio branco

Já tenho um fio branco
De preocupação
De dúvida
De alerta pros anos vindouros.

Um fio condutor
Ainda tímido
Ainda curto
O começo do fim.

Despontando
No emaranhado
Da cabeça
Que abriga reflexões.

Duto da única certeza
A descoloração
A privação da vida
Presságio do nada.

domingo, 3 de maio de 2009

Googling identities

Nessa de googlar qualquer informação, da diversidade de carreiras e possíveis funções, da facilidade de se deslocar, da era multilicious-be-none-and-everyone, seria interessante desenvolverem uma nova ferramenta de busca. Dentro de tantas identidades que desenvolvemos, fora e dentro da Internet, fica difícil saber qual realmente é a sua. Você é o fulaninho myspace, fulaninho hi5, fulaninho orkut, fulaninho facebook, fulaninho youtube, fulaninho twitter, fulaninho blogspot, fulaninho igreja, fulaninho escola, fulaninho faculdade, ou o fulaninho casa? Com quantos fulaninhos se faz um fulano?
O google ainda não trouxe a resposta. Estou esperando.
Por enquanto, fica a máxima do Wikipedia: “Identidade é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se podem diferenciar pessoas, animais, plantas e objetos inanimados uns dos outros, quer diante do conjunto das diversidades, quer ante seus semelhantes.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Identidade)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Meds

Tinha ouvido a nova do Placebo, "Battle For The Sun" há um tempo atrás e não tinha gostado. Só que ontem resolvi ouvir de novo e adorei. Rolou uma nostalgia placebística. Vi o novo vídeo. Brian voltou a ser drag queen. Uh.

Passei a tarde fazendo essa versão meiga de "Meds" e lembrei como a música pode ser a melhor companheira da vida.

A letra deve estar errada, mas...

Foi tudo gravado com violão--até o que parece guitarra! Viva o Amplitube!

Did you forget to take your meds?


MEDS-ed.mp3 - Lenina Z-

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Um dia de cada vez

O melhor plano de vida é viver um dia de cada vez.

Entendi que viajar é tão especial porque todos estão ali com o objetivo de ter um bom momento e esquecer coisas desagradáveis. A concentração de energia positiva é imensa. Todo mundo quer ficar bem e não tem como ser diferente.

Viva Aldeia Velha!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Lost

Sim...me rendi ao seriado “Lost”. Quis entender o que motivava tantas pessoas a assistirem este programa.

Ainda estou na primeira temporada e vi até o décimo episódio. Não vou dizer que é a melhor coisa que já vi nos últimos tempos, mas de alguma forma me tocou.

Me parece que Lost é uma paródia da vida. Estamos todos nesta grande ilha flutuando no espaço, nessa bola de massa gigante a qual chamamos Terra. Não sabemos onde estamos—estamos cercados de mistério. Temos diferentes raças, culturas, línguas, mas estamos no mesmo barco que naufragou há bilhões de anos atrás com o Big Bang. Todos caímos aqui, passamos pelos mesmos problemas e temos as mesmas necessidades sob diferentes roupagens. Todos precisamos liderar e ser liderados em algum momento. E todos estamos perdidos. Não sabemos de nada, mas o objetivo final sempre se limita à sobrevivência.

A patricinha, o criminoso, o gordo desajeitado, a grávida, a criança, o negro, o oriental, o drogado, o médico, o egoísta, o rostinho bonito, o velho, o medroso, o conformado,o corajoso, o artista, o terrorista, o otimista, o paraplégico, o sábio,o depressivo, o cachorro (que foi convidado à existência social doméstica humana), o salvador, o traidor—todos precisam de água, comida, sono, esperança, ocupação.

Alguns estão esperando ser resgatados, estão esperando pela salvação. Jesus, Buda, sei lá...
Outros, estão conscientes da ilusão que a espera envolve, mas ainda assim insistem.

A gente sabe onde está? O que vai acontecer amanhã?

Esta é a história da existência humana... We’re..... LOST!